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quarta-feira, janeiro 05, 2011

150 anos de “O livro dos Médiuns - por Wellington Balbo - Bauru - SP




Quando se fala em espiritismo ao leigo ele muitas vezes associa a doutrina codificada por Kardec somente ao intercâmbio com os “mortos”. Os espíritas são aqueles que conversam com os mortos, dizem os leigos em matéria de espiritismo. A mediunidade é um dos pontos importantes do espiritismo, sem dúvida, mas o espírita sabe que a doutrina não se restringe ao tema mediunidade. Percebe-se, então, que a mediunidade além de tema relevante para os espíritas é, também, uma ponte de identificação do espírita. Que o diga nosso Chico Xavier e as inúmeras cartas que ele recebeu acalmando o coração de muitas mães e pais não espíritas, mas que vinham pedir  seu socorro e compareciam ao centro espírita por que sabiam ser lá o local mais propício para a comunicação de seus entes queridos que os precederam na grande viagem que separa vida e morte. 
Entretanto, por falar em vida e morte o espírita sabe ser verdade que ele não conversa com os mortos, mas sim com os vivos, pela simples razão de que todos, sem exceção, somos imortais, ou seja, não morremos, apenas nos despojamos do corpo físico. Natural, portanto, que ao continuar vivendo queiramos dar notícias aos amigos e familiares que ficaram. É a prova incontestável da bondade divina: a vida vai muito além dos sete palmos abaixo da terra. Sim, continuamos vivos e podemos nos comunicar.
Porém, consultar os “mortos” para algumas religiões até mesmo cristãs trata-se de gritante equívoco. Os mais exagerados depositam os créditos da mensagem  no “Coisa ruim”. Entretanto o “Coisa ruim” não é tão medonho como pintam, porquanto costumeiramente é portador de boas novas aos familiares ao afirmarem por via mediúnica que estão mais vivos do que nós. O que alguns religiosos chamam de “Coisa ruim” são apenas os homens que aqui viveram e já estão livres do corpo material. São espíritos, mas nem por isso estão desprovidos de sentimentos tampouco esperando um épico julgamento final. Os religiosos contrários a essas comunicações citam a proibição de Moisés para justificarem seu ponto de vista. No entanto não se dão ao trabalho de analisar que se o profeta proibiu o intercâmbio com os chamados “mortos” é por que este existia. Claro: ninguém proíbe o que não existe.
E no ano de 1861 no mês de janeiro foi publicado O livro dos Médiuns, o segundo livro da codificação espírita, mostrando de forma clara e objetiva – marcas de Kardec – que o intercâmbio com o lado de lá da vida é possível e pode ser exercitado de forma continua contribuindo para instruir e consolar.
Instruir porque ensina que a vida prossegue; instruir porque demonstra na prática a maneira mais eficaz de conduzir a sessão mediúnica; instruir porque ensina que a caridade pode ser feita para os que já partiram.
Consolar porque alimenta de esperança os corações despedaçados pela separação temporária do ente amado; consolar porque estende os laços de amor para além da vida material.
O Livro dos Médiuns completa 150 anos neste janeiro de 2011 e obviamente a data não poderia passar despercebida, porquanto é o mais valioso compêndio já escrito sob o palpitante e importante tema mediunidade. Estudá-lo é fundamental para compreender os mecanismos que regem todo o esquema de comunicação entre os planos da vida. Dia chegará em que esta obra será objeto de estudo de pesquisadores e cientistas ocupando lugar de destaque nas universidades. Alguém duvida? Quem viver verá.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Consumo coerente


       
Consumo coerente
 Wellington Balbo - Bauru - SP  




Novamente chegou o final do ano e com ele, como sempre, um apelo mais intenso ao consumo. Natural, portanto, pela própria injeção de recursos na economia –leia-se décimo terceiro -  e demais circunstâncias especiais, que os magos do marketing abordem com mais veemência os consumidores.

Vendedores a postos; vitrines repletas de novidades, lojas bem adornadas e comerciais mostrando maravilhas tecnológicas intentam fisgar alguns tostões dos potenciais compradores.

Entretanto é importante, não apenas para a economia global, mas, sobretudo para a economia doméstica que o cidadão não se deixe cair no canto da sereia consumista, ou seja, no gastar pelo gastar e no comprar desmedido, compulsivo, que não raro traz insônia com aquelas  infindáveis prestações adquiridas no entusiasmo do papo com o vendedor, sem maiores reflexões sobre as suas conseqüências no orçamento da família.

Por isso aborda-se neste singelo texto a importância do consumo coerente, até por que, por óbvias razões consumir faz parte da vida de todos, sem exceção.

Mas o que é consumo coerente?

Pode-se defini-lo como o consumo que aproveita os benefícios proporcionados pelos produtos e serviços oferecidos pelo mundo contemporâneo,  livres contudo, dos prejudiciais excessos, além de, naturalmente, alinhar-se à capacidade de compra. Ou seja, o indivíduo que exercita o consumo coerente não gasta além do que ganha.

E quem não pratica o consumo coerente e extrapola nas compras de final de ano esquecendo-se de que inúmeras despesas literalmente despejam-se no orçamento familiar em janeiro, certamente adquire uma enorme dor de cabeça.

Para não adquirir essa indesejável dor de cabeça e não ver o nome chafurdar-se na inadimplência é imperioso em primeira instância domar os impulsos que impelem à irreflexão, no tema comentado a compulsão pelas compras.

Impulsos domados e a racionalidade funcionando parte-se para a utilização de algumas ferramentas simples, porém de grande utilidade e freqüentemente desprezadas pelas pessoas.

Inicia-se, portanto, o trabalho de orçamento familiar para a organização, ou  então, reorganização das finanças. Escreve-se num papel ou planilha as receitas, despesas e reservas:

Receitas: são as finanças – salários, comissões, gratificações...

Despesas: contas de água, luz, aluguel, higiene, educação, saúde, lazer...

Reservas: o que conseguimos poupar.

E quando despesas estão maiores que as receitas, o que fazer?

Só há uma maneira de sanar este problema: cortar gastos extras - menos tempo no banho, economizar o tempo no banho, diminuir o número de carnês com prestações e etc.

Domando os impulsos consumistas e trabalhando com as ferramentas do orçamento familiar disciplinaremos nossa vida e evitaremos dores e dissabores além da habitual insônia que acomete aqueles que exageram nas compras de final de ano.


 Wellington Balbo é autor do livro "Lições da História Humana", síntese biográfica de vultos da História, à luz do pensamento espírita, palestrante e dirigente
espírita no Centro Espírita Joana D´Arc, em Bauru.




sábado, janeiro 30, 2010

Artigo: A Resposta de Chico


 Wellington Balbo
Bauru/SP

Sexo antes do casamento.

     Certa vez alguém perguntou à inesquecível figura de Chico Xavier:
     Chico, sexo antes do casamento é permitido?
     O médium, com sua peculiar mineirice, respondeu:
     Tudo é permitido, porém, sem amor nada vale a pena, nem sexo nem casamento.
    A resposta de Chico é colossal, abrangente pode ser aplicada tranqüilamente em nossa vida nos mais variados assuntos.
    Aliás, a resposta de Chico cabe perfeitamente aos pais cujo objetivo de vida principal se resume em galgar degraus na careira profissional, conquistando pontos com a sociedade, mas perdendo pontos com a família e negligenciando deveres fundamentais pertinente à educação dos filhos.
    Ora, a atividade profissional e a dedicação do indivíduo a ela é fundamental, porquanto, lembrando Maslow, trabalho, a depender do ponto de vista, enquadra-se dentro das necessidades básicas da criatura humana. Sem o dividendo advindo dos labores de nossa profissão, como manter família, ou vulgarmente dizendo: Como trazer o pão de cada dia ao lar.   E a alimentação é uma necessidade básica de todos. Por isso, afirmamos a importância da dedicação do profissional aos labores profissionais, contudo, sem exageros.
     A propósito, interessante lembrar que as intensas vontades de consumir superestimadas pelas propagandas, pelo marketing e pela mídia de forma geral, ajudaram a construir os workaholics, as pessoas viciadas em trabalho.
     Acrescente-se a isso o intenso clima de competição vigente no mundo atual e, pronto. Está formado o cenário perfeito para os malucos modernos! Viciados em trabalho, alucinados por competir, insaciáveis para mostrar suas qualidades, ou melhor, suas conquistas no âmbito puramente material aos seus colegas, ou melhor dizendo, rivais.
     Logo, com todos esses afazeres, naturalmente a família e os filhos são negligenciados.      Com valores esquecidos e a educação dos filhos relegada a terceiros, quartos e quintos, a desorganização instala-se em toda a sociedade.
     Sem valores como respeito, companheirismo, amizade e, principalmente amor ao próximo, a violência em suas mais variadas vertentes - como o sentimento de posse, cobranças descabidas, pressões psicológicas e abusos de autoridade - infiltra-se na sociedade, trazendo consigo a desconfiança, o medo, as aflições e angústias que caracterizam criaturas perdidas, sem objetivos mais ousados no campo de seu desenvolvimento como seres humanos.
     Em conversa com uma de minhas professoras tomei nota de uma pesquisa elaborada por ela e realizada com crianças de 8 a 15 anos matriculadas no ensino público e privado. Umas das perguntas da pesquisa:
     Trabalhar é legal? Justifique.
     Oitenta por cento das respostas dos alunos fez corar, porque afirmavam que trabalhar não é legal, ocupa muito tempo, não deixando espaço para os filhos. Veja, caro leitor, a mensagem que os pais estão transmitindo aos seus filhos é negativa. O garoto quer o pai ao seu lado, soltando pipa, brincando de carrinho, contando histórias, sendo criança com ele, mas repreendendo na hora certa, ensinando, instruindo, orientando...
Importante, pois, refletir no que estamos ofertando aos nossos familiares e filhos. Será que queremos vê-los crescer e considerar natural ser, por exemplo, um workaholic?
     Será que queremos instalar nos pequenos corações de nossos filhos a idéia de que o trabalho se resume apenas à atividade profissional, e é algo chato, que ocupa tempo e desagrega a família?
     Por isso, lembrando o inesquecível Chico, pode-se afirmar que, sem amor nada vale a pena, nem mesmo trabalhar.


Wellington Balbo é autor do livro "Lições da História Humana", síntese biográfica de vultos da História, à luz do pensamento espírita, palestrante e dirigente espírita no Centro Espírita Joana D´Arc, em Bauru.