Mostrando postagens com marcador Aylton Paiva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aylton Paiva. Mostrar todas as postagens

domingo, janeiro 16, 2011

Flagelos e providências - Aylton Paiva


Flagelos e providências 
Aylton Paiva 

Nestes últimos dias temos acompanhado pelos noticiários dos canais de televisão a desgraça e a devastação que os ventos e as chuvas têm feito, provocando alagamento de cidades,  de rodovias e o deslizamento de encostas que levam de roldão o que têm pela frente: casebres, casas, palacetes,  carros e transeuntes.
            Temos acompanhado que a destruição tem afetado principalmente as pessoas mais pobres as quais, para ter um pedaço de chão para viver, invadem as beiras dos riachos e as encostas dos morros.
            Nossos olhares angustiados constatam os dramas trazidos pelas lágrimas daqueles que sofreram esses terríveis impactos e soluçam pela morte de filhos, pais, irmãos e amigos soterrados pela reação da natureza aos desafios do seu existir.
            Seria possível a sociedade, em nosso caso, a brasileira evitar essas catástrofes ou é o destino, é a consequência do viver sem prudência e sem responsabilidade?
            Um pesquisador desses fenômenos, em entrevista, pela televisão afirmou:
            - “ A gente, no passado, urbanizou de forma descontrolada e visando apenas o interesse de pessoas e grupos econômicos.
            Invadimos as margens dos rios. Destruímos a vegetação que as amparavam e controlavam.
            Canalizamos os rios e construímos, em nome do progresso, extensas avenidas sobre eles.
            Esprememos o rio em suas margens, tomando o espaço que era dele.
            Não nos preocupamos com as construções e edificamos nas baixadas e próximo, o máximo possível, das margens dos rios e riachos.
            Cobrimos o solo com pedras e asfalto impedindo a água de ir para o seu âmago.
            Vimos os miseráveis escalarem o sopé dos morros e equilibrarem precariamente seus barracos nesses locais, obviamente, perigosos e condenados.
            Os poderes públicos não tomaram providências, e em muitos lugares, ainda não tomam, para impedir que esses infelizes e despossuídos, em desespero de sobrevivência, assumissem riscos previsíveis.
            - Uma voz clamou:
            - Mas, não são só pobres que provocam e sofrem os efeitos dessas catástrofes!
            - Sim, não são só eles. A especulação imobiliária invade espaços vitais da natureza, levantam casas e edifícios nas mesmas áreas de risco.
            Sabem o mal que estão fazendo, todavia, o interesse pelo lucro é maior do que o equilíbrio da natureza e a vida das pessoas.
            Ouvindo essas tristes e terríveis informações, pensei: - haveria meios para conjurar esses flagelos?
            Lembrei-me da Lei da Destruição, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na questão nº 741:
            “ É permitido ao homem afastar os flagelos que o torturam?
            - Em parte, sim; não, porém, como geralmente o entendem.
            Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiências, ele os pode afastar, isto é, preveni-los, se souber pesquisar suas causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, há os de caráter geral, que estão nos desígnios da providência e dos quais cada indivíduo recebe, em maior ou menor grau, o contragolpe. O homem nada pode opor a esse tipo de flagelo, a não ser submeter-se à vontade de Deus. Além disso, muitas vezes esses males são agravados pela negligência do próprio homem.”
            A essas instruções dos Mentores Espirituais, Allan Kardec aditou:
            “ Entre os flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados na linha de frente a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Entretanto, não tem o homem encontrado na Ciências, nas obras de arte ... meios de neutralizar, ou, pelo menos, de atenuar tantos desastres? Certas regiões, outrora assoladas por terríveis flagelos, não estão hoje livres deles? Que não fará, então, o homem pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos da sua inteligência e quando, sem prejuízo da sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes?”
            Parei para pensar: esses conceitos foram emitidos com a publicação do citado livro em 18 de abril de 1857.
            Quanto a Ciência e a tecnologia evoluíram... Se não afastamos grande parte desses flagelos é porque o egoísmo e a ganância ainda reinam acima da Justiça e do Amor que beneficiariam as pessoas e a coletividade.
            De se lembrar que, quando o Amor não sensibiliza para o bem-estar, a dor imporá o despertamento para a realidade.


Aylton Paiva é agente fiscal de rendas aposentado, ex-diretor da Câmara Municipal de Lins e dirigente espírita, é Diretor do Departamento de Assistência e Promoção Social da União das Sociedades Espíritas do Estado de
São Paulo.


quarta-feira, dezembro 15, 2010

Reflexões sobre o Natal de Jesus 


Aylton Paiva
Lins/SP


            A comemoração do Natal de Jesus deve motivar-nos a considerar a importância do seu nascimento entre nós e a mensagem que Ele trouxe.
O nascimento de Jesus não assinala apenas o aparecimento de um novo tempo na história da humanidade.
Não é, somente, a divisão nos principais fatos da nossa vida em a.C: antes de Cristo e d.C: depois de Cristo.
O nascimento de Jesus é um Novo Tempo, nunca visto.
Traz a “Boa Nova”, mas é  mensagem desafiadora
É nova forma de mostrar o amor.
O nascimento de Jesus é o aparecimento do equilíbrio maior entre a sabedoria e o amor.
Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres.
O nascimento de Jesus entre nós é o exemplo maior de viver a religiosidade. Libertando-a do fundamentalismo religioso, que encarcerara a religião nos templos de pedra,
aureolados pela força do poder temporal e a pretensão de serem os representantes de Deus entre os homens.
Diante da mulher samaritana Ele afirma que haveria tempo em que não só se adoraria Deus no monte da Samaria ou no templo Jerusalém, mas em toda parte.
O nascimento de Jesus é a manifestação da liberdade de pensamento e de sentimento libertos do fanatismo religioso, que anseia pela dominação do coração e do
cérebro do ser humano.
Aí de vós fariseus: túmulos caiados por fora, mas podres por dentro.
O nascimento de Jesus é a possibilidade da igualdade e da fraternidade entre os seres.
Todos somos filhos do mesmo Pai – Deus: Criador do Universo
O nascimento de Jesus é a libertação do orgulho que prende e delimita em um estreito espaço: físico, moral, mental e espiritual.
O nascimento de Jesus é a quebra das convenções religiosas emanadas de usos e costumes ou de interesses de domínio e poder sobre o espírito humano.
Escandaliza os fariseus (autoridades religiosas de sua época) ensinando e curando no sábado, infringindo normas religiosas e a tradição judaica.
O homem não foi feito para o sábado, mas o sábado foi feito para o homem.
O nascimento de Jesus é a libertação da mulher do jugo do homem, retirando-a da sua condição de subalternidade.
Dialoga esclarecedora e amorosamente com a mulher samaritana
Após a morte do seu corpo, na tortura e no sacrifício da cruz, faz de Maria Madalena a portadora da sua imortalidade e da sua vitória sobre a ignorância humana aos
apóstolos atônitos e acovardados.
O nascimento de Jesus é supremacia do poder espiritual, eterno, sobre o poder temporal, efêmero.
Não se atemoriza, não se acovarda, não se humilha, escorado em sua eterna força espiritual, diante do passageiro poder romano, representado por Pôncio Pilatos.
O nascimento de Jesus é a supremacia da vida sobre a morte.
Da verdade sobre a mentira.
Do amor sobre o ódio.
Do altruísmo sobre o egoísmo.
Da solidariedade sobre a exclusão.
Do bem sobre o mal.
O nascimento de Jesus é a Grande Esperança individual e coletiva para o mundo melhor e a humanidade feliz.
Nós fazemos parte desse Natal!
  


Aylton Paiva é agente fiscal de rendas aposentado, ex-diretor da Câmara Municipal de Lins e dirigente espírita, é Diretor do Departamento de Assistência e Promoção Social da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Manual de Apoio ao Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita



Foi realizada na manhã de domingo 17/01/2010, nas dependências da Use Intermunicipal de Araçatuba, a primeira reunião ordinária do ano onde foram tratados diversos e importantes assuntos, dentre os quais: fechamento da programação do Centenário de Nascimento de Chico Xavier, recadastramento dos oradores da lista da Use Intermunicipal, Clube do Livro Espírita, Encontro do ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) que acontecerá com Júlia Nezu em 07/3/2010, entre outros assuntos. Esteve presente à reunião Aylton Paiva, da cidade de Lins, SP, que é o Diretor do Departamento de Assistência e Promoção Social da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Aylton, que esteve acompanhado da esposa Maria Eny Rossetini Paiva.




Aylton prestou informações aos presentes sobre o Manual de Apoio ao Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita. As USEs Intermunicipal e Regional de Araçatuba irão dividir o Manual em 3 blocos e convidar oradores da região para trabalhar os assuntos com participação de todas as casas espíritas da região. Estive participando da reunião juntamente com diversos dirigentes dos Centros Espíritas de Araçatuba, bem como Sirlei Nogueira presidente da Use Regional de Araçatuba.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Artigo: A MENINA E A BEXIGA


Aylton Paiva – paiva.aylton@terra.com.br



O homem descia as escadas do Banco, chegando na calçada observou que jovem senhora vinha em sentido contrário empurrando o carrinho com um bebê e uma menininha que segurava linda bexiga azul que recebia seu olhar de admiração e alegria.
O homem caminhava com passos firmes, mas a cabeça rodopiava com pagamento de débitos, aplicações e outras questões financeiras.
Subitamente, o balão azul escapou das mãozinhas da menina e seu rostinho expressou o espanto e, imediatamente, a dor da perda. Desesperadamente se pos a correr atrás da bexiga.
No afã de pegá-la, perdeu o equilíbrio e foi ao chão. Então as lágrimas da perda e da dor do impacto rolaram naquela facezinha angelical.
Olhava para o balão que se ia, surfando nas ondas do vento, e para a mãe que atenta e penalizada dizia-lhe.
- Machucou-se, filhinha?
Ante o aceno de cabeça negativo, a mãe procurou confortá-la.
- Não chore, meu amor. Mamãe comprará outra para você.
O olhar era desconsolado.
A bexiga flutuou diante do casal de hipyes que a olhou como algo exótico e continuou na tranqüilidade do “paz e amor”.
Flutuou, pelas asas do vento, diante de um grupo de jovens empoleirados em um banco.
Olharam para o balãozinho... olharam para a meninha e desataram a rir.
Pairou diante do pipoqueiro que a olhou descompromissadamente, pois preocupado estava em entregar o saquinho de pipoca para a freguesa.
Olhei e vi. Atrás do balãozinho, livre e voando, vinha o senhor que saíra do Banco preocupado com as finanças.
Passos acelerados. Não correndo. Talvez por vergonha.
Na primeira tentativa de pescar a “bexiga azul”, nova lufada de vento afastou-a de suas mãos prestes a agarrá-la.
De novo, os empoleirados jovens no banco, desataram a rir. Um deles apontando a cena que deviam senti-la como hilária ou ridícula.
O circunspeto senhor não se deu por achado, acelerou mais os passos e eis que, num átimo, vupt! pegou o azul sonho infantil.
O sorriso de satisfação iluminou seu semblante.
Passou pelos jovens do galho, isto é, do banco, que mais não riam.
Defrontou-se com o pipoqueiro que enchia outro saquinho de pipoca.
Fronteou o casal hipye que prosseguia enrolando os seus fios na elaboração do típico artesanato.
O homem só mirava a menina do balão azul e sua mãe, que, para melhor atender o bebe no carrinho, haviam parado.
Esticou mais o passo.
Chegou. Tocou de leve o ombro da meninha em quem duas lágrimas ainda deslizavam pela face.
O homem disse-lhe:
- Não chore meu bem. Pegue o seu balão azul.
Ainda com as lágrimas na face, a meninha sorriu.
- Filha! Ele pegou a sua bexiga,. Não chore mais meu amor.
O homem sorriu, virou-se e prosseguiu em sua caminhada.
O amor, sob a forma de solidariedade, manifesta-se mesmo nas situações aparentemente mais simples. Opõem-se ao egoísmo que se corporifica na indiferença, no pragmatismo do bem material, no individualismo histriônico.
O homem do Banco não se arrefeceu diante deles, deu-lhes o exemplo que deveria dar.
Desejei conhecer a essência daquele homem.
Uma voz ecoou no templo da minha consciência:
- “ Amarás Deus de todo coração, de toda tua alma... Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Toda a Lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos”. – Jesus. ( Mateus, caps. 37 a 40)
A menina seguiu feliz, segurando o balãozinho azul.
Aylton Paiva é agente fiscal de rendas aposentado, ex-diretor da Câmara Municipal de Lins e dirigente espírita em Lins/SP.